Thuê – Momento de transformações e transmutação

Livre alma/ Eu lírica/ Mãe

Vou começar pelo princípio, o que me levou a fazer esse texto para o blog da Verse.

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Conheci a Magê – numa sala de ballet para adultos – há mais ou menos quatro anos, mas nossos caminhos se separaram quando parei o então curso de ballet e me mudei para fora do Brasil.

Por meio das redes sociais vi o nascimento da marca Verse e fiquei encantada com a proposta, produtos e filosofia. Foi quando voltei a entrar em contato com a Magê oferecendo algumas fotos minhas, totalmente amadoras, que eu acreditava estar na mesma sintonia da Verse.

Além dela ter aceitado a minha oferta, ela perguntou se eu toparia fazer algumas fotos com alguns produtos Verse e mesmo não sendo modelo, aceitei. Quando as peças chegaram aqui em casa era inverno, não teria como eu fazer as fotos como eu imagina, ou seja, fotos externas e que englobassem a beleza do interior do sul da França. Falei que assim que o tempo ficasse mais quente eu faria as fotos, até que… supresa!!! Engravidei.

Agora foi diferente

Descobri minha gravidez com cinco dias de atraso da minha menstruação, o que senti foi um misto de muitas emoções, mas dessa vez não foi como toda a euforia da anterior.

A primeira vez que engravidei foi no ano passado e foi totalmente inesperado, bateu uma mega insegurança, mas a sensação mais latente que senti foi de euforia. No entanto, o que tive foi uma gravidez anembrionária, que é quando ocorre a fecundação, mas o embrião não se desenvolve, ou seja, você sente todos os sintomas de uma gravidez, mas a razão que causou sua euforia e explosão de sentimentos diversos, não está lá. Veja bem, a gravidez anembrionária é considerada uma falsa gravidez, mas não confundam com gravidez psicológica.

A gravidez atual assim como a outra não foi necessariamente planejada, estamos no ritmo quando tiver que vir virá. E veio! Eeeeeee! E acredito que agora vocês possam entender o porque não tive toda a euforia que a maioria sente, e que eu mesma já senti, pois até que todos os exames pudessem ser feitos eu fiquei com muito receio que a experiência anterior pudesse se repetir.

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O complicado início

Foi com 7 semanas de gestação, durante a consulta ginecológica que vi que o meu pequeno dessa vez está lá, com seus 2,4 cm e coraçãozinho batendo freneticamente. Chorei. Chorei de felicidade e alívio. Aí vocês pensam, “bom, agora ela pode ficar eufórica de alegria”.

Bem, na verdade não. Veja, fiquei muito feliz sim, muito! Juro que adoraria poder falar que estava curtindo muito a minha gravidez desde que a descobri, mas a verdade é que não. Durante o primeiro trimestre passei muito mal, muita náusea, azia, cansaço, sono, um pouco de cólica, seios maiores e super doloridos, barriga inchada de tantos gases, afinal, tudo dentro de você está mudando: hormônios a mil, metabolismo mais lento, etc.

Imagina não dormir direito a noite porque num momento você acorda com náusea e, em outro, são os seios latejando. Logo não me sentia atraente, não tinha vontade de me arrumar, na verdade, eu tinha vontade de fazer absolutamente nada, tudo que queria era ficar quieta no meu canto.

No meu caso, tem também a questão das diferenças culturais: sendo eu brasileira e meu esposo francês. A forma como os brasileiros encaram uma gravidez é muito diferente das dos franceses. Por eu estar morando na França e por respeito ao meu esposo eu estou agindo mais de acordo com os costumes locais e, sinceramente, isso tem me frustrado em muitos aspectos. Por exemplo, no Brasil assim que descobrimos a gravidez temos o impulso e vontade de gritar e dividir nossa felicidade com o mundo. Aqui na França não. Só se começa a falar para os parentes mais próximos e amigos (também próximos) após o terceiro mês, quando é feita a primeira ecografia oficial para verificar se o bebê está se desenvolvendo de maneira saudável ou se apresenta alguma anomalia. Lógico que contei para minha família e melhores amigos assim que descobri. Mas o impulso em postar a foto do meu exame de farmácia dando positivo, me foi tolido. Anunciar a gravidez quando já está com três meses não é tão empolgante como no começo.

Quinto mês

Hoje entrei no meu quinto mês de gestação e posso dizer que só agora, no segundo trimestre, que começo a poder curtir minha gravidez. Meu corpo começa a ficar com a forma de uma grávida e não mais só com o inchaço por gases (risos). Me sinto disposta.

Mas o melhor é começar a sentir o bebê se mexer, mesmo que de maneira ainda tão sutil e quase imperceptível. A ficha “vou ser mãe” já caiu. Já me sinto uma mãe, ainda que com inseguranças e muitas incertezas, mas feliz, honrada e grata por essa oportunidade.

As mudanças internas, quer sejam físicas ou emocionais, continuam acontecendo. Agora, por exemplo, estou uma Maria-chorona.

Sempre fui meio chorona, emotiva, mas agora choro por qualquer coisa ou por coisa nenhuma. Sim, muitas vezes simplesmente sinto vontade de chorar e eu deixo as lágrimas correrem livremente. Me faz bem, me alivia e em alguns momentos é um choro tão absurdo, fora do contexto que acabamos rindo.

Se eu sinto muitas vontades e desejos? Sinto alguns, mas a maioria não posso satisfazer porque eu teria que estar no Brasil, mas tudo bem, o que importa é que estamos bem e a vida segue.

Sentir-se radiante

Enfim (esse texto ficou muito maior do que eu imaginava!), queria mostrar a particularidade da minha gravidez, afinal, como todo mundo já diz, cada gravidez é única. Como muitas outras coisas, principalmente as que envolvem amor, se mostram diferentes na vida real, ou seja, não acontecem da forma romantizada como nos é passado desde pequenos.

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Hoje, a Thuê, radiante, nos presenteia com suas lindíssimas fotos!

A gravidez é sim um momento lindo, único, mas tudo bem se você não se sentir radiante desde o comecinho. Para algumas mulheres, por um período ou toda a gestação pode acontecer de sentir muitos incômodos físicos e psicológicos mas, acredito que em algum momento haverão instantes bem gratificantes e de auto-conhecimento, de força, de superação.

Esse é um momento de transformações e transmutação. É um momento em que você se transforma em mãe e, mesmo se sentindo insegura, bem no fundo você já sabe o que você quer para o seu filho e é nessa hora que você também transmuta para que você possa passar para ele o seu melhor.

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